sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

América Selvagem - Pena de Morte - Estado Bárbaro - O Culto da Violência - A adoração das Armas


O vídeo enviado à rede NBC pelo autor do massacre em um campus da Virgínia na segunda-feira (16), que explicava as razões para matar seus colegas e professores, demonstra que ele buscava a "glória eterna" com o crime, na opinião de especialistas.

As palavras de ódio e quase ininteligíveis do estudante sul-coreano Cho Seung-hui, 23, nos vídeos enviados à rede de TV, acompanhados de fotos de si mesmo exibindo armas em poses ameaçadoras, dão uma idéia geral do que se passava por sua mente ao planejar o pior massacre contra um estabelecimento de ensino na história dos Estados Unidos.

"Este rapaz era um delirante, bastante paranóico. Não posso afirmar que ele ouvia vozes, mas não me surpreenderia se isso acontecesse", afirmou Steve Hinshaw, presidente do departamento de psicologia da Universidade de Berkeley, Califórnia.

Apesar de ser impossível para qualquer especialista diagnosticar a enfermidade mental de Cho apenas analisando seus vídeos e ações, a maioria concordou que o jovem poderia sofrer de um grave quadro de mania de grandeza e possivelmente uma depressão bipolar ou mesmo esquizofrenia.

NBC/reprodução
Imagem contida em pacote enviado à NBC mostra Cho apontando arma para a câmera
Imagem contida em pacote enviado à NBC mostra Cho apontando arma para a câmera
"Ele deixou bem claro que estava cansado do desprezo, e a maneira de expressar isso foi em um ato de autodestruição e um inflamado desejo de glória", disse Hinshaw em entrevista por telefone a France Presse.

"É arrepiante colocar dessa maneira, mas há vezes que uma enfermidade mental pode se apoderar de uma pessoa e fazê-la buscar a empatia dos outros através de uma ação que demonstre o que ela está sofrendo", acrescentou.

Cho lançou sua ira contra os "garotos ricos", a "libertinagem" e os "charlatões enganadores", num bilhete que deixou em seu quarto do dormitório do campus.

Acusações similares foram repetidas nas 23 gravações de vídeo e 43 fotografias que ele enviou à NBC. Mas o objeto receptor de sua raiva é uma incógnita, já que o jovem sul-coreano só fala de "vocês".

"Vocês tinham cem bilhões de opções e maneiras que teriam evitado o que aconteceu hoje", assinalou Cho Seung-Hui em um dos vídeos.

"Mas vocês decidiram derramar meu sangue. Vocês me encurralaram e só me deram uma opção. Agora vocês têm suas mãos manchadas de sangue para o resto de suas vidas", afirma em outro trecho.

"Não tinha por que fazer isso. Podia ter ido embora. Eu podia ter fugido. Mas não, não fugirei mais. Não é por mim que faço isso. Faço por meus filhos, por meus irmãos e irmãs (...). Fiz por eles", afirma Cho.

Distorção

A declaração final parece reivindicar que a vida de Cho não tinha sentido e que ele precisava demonstrar o que havia sofrido, explica Hinshaw. "É comum este tipo de comportamento em personalidades niilistas e narcisistas: minha vida não vale a pena, mas vou até as últimas conseqüências para fazer as pessoas saberem o que eu sofri", acrescentou.

No mesmo dia em que as gravações foram divulgadas, a polícia informou que o assassino havia sido denunciado em 2005 por assédio de duas jovens estudantes e enviado a um hospital psiquiátrico, por receio de que cometesse alguma tentativa de suicídio.

"O mais lamentável é que ele tentava ganhar publicidade e conseguiu", enfatizou Mark Horowitz, professor de psiquiatria da Universidade de San Francisco, Califórnia.

Horowitz admitiu que os meios de comunicação têm a responsabilidade de proporcionar toda a informação disponível sobre o dramático caso, mas enfatizou que é importante que a história seja contada de tal maneira que outras pessoas com sintomas similares não acreditem que esta é uma boa maneira de chamar a atenção das pessoas.

A NBC reconheceu que a decisão de divulgar os vídeos e as fotos criou um problema ético e advertiu aos telespectadores que o material poderia afetar pessoas mais sensíveis.

O apresentador Brian Williams admitiu "ter plena consciência de que, de fato, esta noite estamos transmitindo as palavras de um assassino".

Clint Van Zandt, ex-funcionário do FBI, que agora trabalha como analista na NBC, afirmou estar em desacordo com a decisão da emissora de transmitir as palavras de Cho.

"Era isso que ele queria", disse Van Zandt.

Fonte:MIRA OBERMAN
da France Presse, em Chicago

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